Tipografia [Serifas]

Uma fonte tipográfica ou, melhor, um tipo não é mais do que um padrão, variedade ou colecção de caracteres tipográficos com o mesmo desenho ou atributos e, por vezes, com o mesmo tamanho (corpo).

Frequentemente utiliza-se de forma errónea a designação ‘fonte’ em vez de ‘tipo’, contudo etimologicamente o termo inglês ‘font’ (do latim ‘fundita’, do verbo ‘fundere’, que significa fundir) nada tem a ver com a palavra portuguesa ‘fonte’ (do latim ‘fonte’, que corresponde ao termo ‘fount’ ou ‘fountain’ em inglês). A utilização errada de ‘fonte’ como definição de ‘font’ nasceu na década de 80 por usuários de computadores anglicizados e por programas da Microsoft deficientemente traduzidos para português. Assim, é mais correcto falar em tipo Garamond, tipo Arial ou tipo Baskerville.

Relativamente à sua classificação, os tipos podem ser diferenciados segundo suas principais características, as Serifas.

Na tipografia, as Serifas são os pequenos traços e/ou prolongamentos aplicados às extremidades das hastes das letras.

serifa

A sua origem é bastante peculiar. Antes do surgimento da escrita, com pena e tinta no papel como a conhecemos actualmente, os tipos eram gravados em blocos de rochas. Quando esses blocos eram gravados em ambientes húmidos, retiam água dentro das letras, que ao congelar, durante os Invernos Europeus, acabava por danificar o texto registado. As serifas impediam que essa água ficasse retida, assim como mais tarde já no papel, impediam que a tinta utilizada para a escrita escorresse e borrasse a folha.

Além do carácter ornamental, a serifa tem aspectos funcionais importantes. Primeiro, as serifas tendem a guiar os olhos do leitor de uma letra para outra. Isso acontece devido à linha imaginária criada pelos achatamentos que existem nas extremidades inferiores dos tipos, ou seja, nos pés das letras, que permite uma leitura mais fluente. Segundo, as serifas dão mais identidade às letras, de forma que é mais fácil diferencia-las (dependendo da fonte tipográfica usada, algumas letras tendem a assemelhar-se umas com as outras, dificultando a leitura). Por esses aspectos funcionais, as letras serifadas são sobretudo usadas em grandes blocos de texto, como por ex. nos romances literários.

serifa1

Existem muitos termos para descrever as serifas, especialmente no que diz respeito ao seu desenvolvimento nas fontes romanas. Mais do que unilaterais ou bilaterais (unilaterais caso sejam projectadas de um lado do traço principal, e bilaterais caso sejam projectadas para ambos os lados), elas podem ser cumpridas ou curtas, grossas ou finas, pontudas ou cegas, curvas ou rectas, horizontais, verticais ou obliquas, afiladas, triangulares, etc. Contudo, os dois tipos de serifas mais usuais são as serifas curvas e as serifas rectas. As primeiras são mais orgânicas, fluindo suavemente das extremidades das hastes de tal forma que é quase impossível saber onde começam, já as segundas são mais quadradas, mais rectas e mais rígidas, sendo bastante visível todos os seus limites.

Temos como exemplo de fontes serifadas, o conhecido Times New Roman, o tipo Garamond, o tipo Bodoni, o tipo Didot e o tipo Caslon.

serifas2

Embora as fontes não serifadas ou sans-serif (palavra francesa que significa ‘sem serifa’), tenham as suas raízes nas civilizações grega e romana, só no começo do século XIX existiu um reinteresse na sua utilização, sobretudo devido ao crescente aperfeiçoamento do sistema litográfico de impressão. Efectivamente, é no ano de 1816 que o primeiro tipo sem serifas é publicado por William Caslon IV – um tipo com corpo 28, apenas em caixa alta (capitais), sem remates nas extremidades, com vértices rectos e traços uniformes, opticamente ajustados nas suas conexões. Pouco tempo depois, William Thorowgood produziu o primeiro alfabeto sem serifa com minúsculas, que ficou conhecido como ‘Grotesque‘, base dos alfabetos sem serifa mais conhecidos.

Associadas desde seu início à tipografia comercial, a legibilidade e durabilidade das fontes sans-serif eram perfeitas para impressão de etiquetas, embalagens e outros propósitos comerciais. Por esse motivo, eram desapreciadas por aqueles que se preocupavam pelo carácter estético dos tipos e pela impressão de qualidade.

Contudo lentamente, as fontes sans-serif foram ganhando terreno às serifadas. Por um lado, por que os modernos métodos mecânicos de fabricação dos tipos adaptavam-se melhor a este particular estilo, por outro, por que a ausência de remates e a finura dos seus traços não dificultavam a legibilidade destas letras a uma longa distância, como é o caso de rótulos, cartazes, etc., elementos de comunicação cada vez mais em auge.

Assim, contrariamente às fontes serifadas, as sem serifa costumam ser usadas em headlines e destaques de notícia, pois valorizam cada palavra individualmente e tendem a ter maior peso para os olhos (”chamando a atenção”), já que parecem mais limpas. Elas são perfeitas para exibição de textos no monitor pois transmitem sensação de limpeza, clareza, organização, factores primordiais para captar a atenção do visitante.

As fontes sans-serif são indicadas sobretudo para visualização de textos em computador, sendo bastante legíveis e nítidas tanto a pequenas como altas resoluções. Entretanto, não estão aconselhadas para textos longos, já que se tornam monótonas e difíceis de seguir.

sserifa

Entre as fontes sans serif encontram-se, a Helvética, Arial, Eurostile, Franklin, Optima, Univers, Kabel, Futura, Gill Sans, Avantgarde, Optima, Fruitiger.

A classificação dos tipos em serifados e não serifados é considerado o principal sistema de diferenciação de letras.

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Referência
Tipografos.net

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